Geração de energia e seus impactos socioambientais: o caso da UTE Piratininga – SP

No Brasil a maior parte da geração de energia elétrica vem das hidrelétricas, complementadas pelas termoelétricas que emitem consideráveis quantidades de poluentes para a atmosfera. No entanto, não se pode esquecer a emissão veicular, que nos grandes centros urbanos, tem demonstrado sérias e fortes associações aos problemas de saúde. Neste trabalho, foram estudados os impactos que a geração de energia da UTE Piratininga acarreta sobre o meio ambiente e saúde da população do entorno. Para isso foi analisado o EIA da modernização e ampliação da usina e os dados de saúde relacionados às doenças do aparelho respiratório da população próxima, ocorridos no período de 1998 a 2007. Sobre os dados de qualidade do ar mostrados através do EIA, pode-se afirmar que, baseado em simulações, após a modernização do empreendimento a quantidade de poluentes atmosféricos diminuiria significativamente, com exceção dos compostos orgânicos voláteis. Já com relação aos dados de saúde, é possível verificar que a taxa de óbitos por doenças do aparelho respiratório nos distritos de Cidade Ademar e Pedreira foram maiores que a taxa do crescimento populacional no período analisado. Também foram observadas algumas correlações entre a geração de energia da usina e os casos de inalações nas UBS próximas. Mas cabe destacar que esses fatos também podem ter sido influenciados principalmente pela crescente frota veicular na RMSP. Além disso, baseado no PDE – 2008/2017, constata-se que o investimento em termoelétricas continuará nos próximos 10 anos indicando a possibilidade de problemas futuros relacionados à qualidade do ar e saúde da população, caso nenhuma medida de controle, monitoramento ou fiscalização seja estabelecida e implementada.

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Autores: Louise Nakagawa, Francisco de Assis Comarú, Federico Bernardino Morante Trigoso

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