Apresentação

Há quase duas décadas, a reordenação do mercado internacional de petróleo situava uma questão mais profunda, embora menos evidente, que atingia, de modo abrangente, a realidade energética: a transformação dos padrões de produção e de consumo de energia. A generalização desses padrões, até então estimulada pela oferta crescente de petróleo relativamente barato, foi restringida, na realidade, por limitações de ordem física, técnica, econômica e financeira, mas também sociais e ambientais, que impuseram uma organização diferenciada, segundo países e regiões, aos fluxos energéticos.

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Hidréletricas e meio ambiente na Amazônia. Análise crítica do plano 2010

A questão da Amazônia tem ganho repercussão internacional pelos chamados efeitos globais da destruição da floresta e pelo problema das terras indígenas. Entre os primeiros está o do gás carbônico devido às queimadas, que aumentam sua concentração na atmosfera, agravando assim o efeito estufa (desequilíbrio entre a energia absorvida da radiação luminosa oriunda do Sol e a da radiação térmica emitida de volta ao espaço pela Terra). Embora haja grande margem de incerteza nos cálculos, dois fatos são inegáveis: as queimadas da Amazônia têm atingido tal nível que sua contribuição para a concentração de COZ na atmosfera é sensível; entretanto a grande contribuição para o efeito permanece sendo a da queima de combustíveis fósseis nos países ricos. A última consideração de modo algum diminui a responsabilidade do governo brasileiro pela destruição da floresta, propiciada por um sistema de incentivos fiscais para estimular a ocupação da região, viabilizando artificialmente empreendimentos agropecuários que seriam economicamente inviáveis. Além deste tipo de empreendimento, projetos de utilização dos recursos minerais também contribuem para a ocupação predatória daquela região. Tem sido questionado, por exemplo, o projeto Grande Carajás, especialmente a produção de gusa usando carvão vegetal a partir da queima da floresta.

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Autores: Luiz Pinguelli Rosa

O Programa Nacional do Álcool em 1988

Implantado em 1975 como uma possível forma de minorar os prejuízos dos produtores de açúcar em face das baixas cotações internacionais desse produto e para gerar um combustível complementar à gasolina o Programa Nacional do Álcool, que passou por dificuldades temporárias, alcançou notável desenvolvimento nesses 13 anos de sua existência.

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Autores: José Roberto Moreira, José Goldemberg

Planejamento energético: Necessidade, objetivo e metodologia

O papel que a energia desempenha na sociedade pode ser conceituado adequadamente a partir da noção de sistema energético (DEL VALLE, 1985, p.80). 0 sistema energético é um sistema que cumpre uma função bastante precisa na sociedade: prover a energia útil que toda atividade humana requer. É um sistema em parte concentrado e em parte difuso, que se estende por toda a sociedade. Todos os membros da sociedade são parte deste sistema, enquanto usuários das diversas formas energéticas. São membros também as grandes empresas que utilizam energia, os pesquisadores e fabricantes das diversas tecnologias empregadas no sistema e, evidentemente, as grandes e pequenas que produzem e distribuem energéticos. Também é membro o governo, que tem uma influência muito grande, por sua capacidade de decisão sobre muitas das variáveis críticas do sistema.

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Autores: Sergio Valdir Bajay

Argentina, Brasil e México: os impactos de política energética face às crises da década de 1970

A Argentina, o Brasil e o México conheceram, do início dos anos trinta ao fim dos anos setenta, evoluções econômicas que, se não são consideradas semelhantes, podem ser tomadas como sendo ao menos “paralelas”. No entanto, a partir do início dos anos setenta, em razão especialmente das grandes transformações da estrutura econômica internacional e dos choques do petróleo, estes três países foram submetidos a evoluções bastante diferentes. Estas evoluções econômicas divergentes foram traduzidas, a nível nacional, por dinâmicas diferenciadas de política energética. Esta é, em poucas palavras, a questão central abordada neste artigo.

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Autores: David Zylberstajn